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Martinho Lutero (1483 - 1546)
A
REFORMA PROTESTANTE
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Apresentação
Teatral |
Autor:
Rev Dilécio da Silva Oliveira
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CENA
1 - Sala de uma casa. Ao fundo uma porta. Pelo lado do palco, entram
3 estudantes com suas pastas escolares.
Marli:
Adriana , tenho que fazer um trabalho sobre a Reforma Protestante do
Século XVI. Você tem alguma idéia para me ajudar?
Adriana:
(caçoando) Eu tenho! Faça um boa pesquisa nos livros...
(há!há!)
Marli:
Engraçadinha! Claro que vou pesquisar. Eu só queria que
você adiantasse meu trabalho...
Vagner:
Pois eu vou ajudá-la, Marli. Se você não sabe, trata-se
da reforma religiosa iniciada por um monge alemão, chamado Martinho
Lutero.
Marli:
E o que ele reformou?
Adriana:
Lutero reformou a Igreja, fazendo-a voltar aos princípios bíblicos.
A Igreja daquela época estava cheia de erros na doutrina e na
prática religiosa.
Marli:
Que interessante! Fale mais sobre o assunto.
Adriana:
Ao se fazer monge, Lutero não levou uma vida fácil. Acreditava
que pudesse justificar sua alma perante Deus, através de seus
próprios esforços. Rezava muito, suplicando a Deus o perdão.
Fazia muitas penitências. Maltratava seu corpo com um chicote,
abstinha-se de comer e beber até por três dias consecutivos,
subia de joelhos escadarias inteiras... mas não encontrava a
paz que tanto procurava.
Vagner:
Agora, deixem-me falar também! Hum!!... Foi num dia triste
desses que ele encontrou resposta para suas aflições,
foi assim...
CENA
2 - Pela porta, ao fundo, entra Lutero com uma Bíblia na mão
e fala, dirigindo-se à platéia.
Lutero
: Oh, meu Deus! Sinto-me afundar! Minhas obras de caridade, meus
sacrifícios e penitências, por maiores que sejam, não
trazem paz a minha alma! Responda-me, Senhor, onde achar a paz? Onde?
Onde?...(Senta-se, começa a folhear a Bíblia, buscando
algo... de repente, exclama) Está aqui, bem diante de meus olhos,
na Epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 1, verso 17:
"O justo viverá por fé"!!! Então, é
isso! A justiça vem pela fé, não depende de qualquer
obra! Isto significa que estou perdoado! Estou justificado perante Deus!
(sai)
CENA
3 - Entra D. Rute, a mãe de Adriana, oferecendo a todos um suco.
D.
Rute: Aceitam um suco? Hoje, o dia está tão quente!...
(distribui os copos, todos agradecem)
Adriana:
Pois é, com relação a justiça que provém
da fé, Lutero viu, por fim, que a salvação é
ganha pela confiança em Deus, mediante Jesus Cristo, e não
pelos ritos, sacramentos e penitências da Igreja. Isso mudou totalmente
a sua vida e todo o curso da história.
D.
Rute: Posso participar da conversa? (todos respondem: "É
claro!") Além de Lutero sentir-se tremendamente enganado
pela doutrina religiosa que vinha seguindo, pregou severamente contra
a venda de indulgências.
Marli:
Indulgências?... O que é isso?
Adriana:
Foi o seguinte: o Papa Leão X, querendo arrecadar dinheiro para
sustentar o luxo da corte papal e também terminar de construir
a Basílica de São Pedro, em Roma, formulou um documento,
onde dizia que, em troca de determinada quantia em dinheiro, as pessoas
recebiam o indulto das penas impostas pela Igreja pelos seus pecados.
D.
Rute: Entre os vendedores de indulgências, um dos mais hábeis
e ativos era o monge Tétzel, que tinha preços fixos para
todo tipo de pecado, como adultério, perjúrio, sacrilégios,
assassinato e outros. Vendia cartas de indulgências até
para pecados que pudessem ser cometidos no futuro...
CENA 4
- Pela porta, ao fundo, aparece Tétzel com um cofre nas mãos.
João
Tétzel: Senhores e senhoras, Ninguém precisa mais
sentir os sofrimentos do purgatório! É só o seu
dinheiro tilintar no fundo deste cofre e a alma de seus entes queridos
saltará para o céu!
(entram pessoas interessadas em comprar as indulgências e conversam
com Tétzel)
1º interessado: Senhor monge, se eu pagar por esse direito, minha
alma ficará garantida contra as penas eternas?
João
Tétzel: Sim, é isso mesmo!
1º
interessado: Então, desejo pagar pela minha salvação!
(paga)
2º
interessado: Senhor monge, minha tia era muito má. Ela faleceu
há três meses. Comprando a indulgência, ela será
salva?
João
Tétzel: Claro, como já lhes informei, no mesmo momento
que a moeda ressoa no fundo do cofre, a alma sai do purgatório.
(Tétzel vai saindo, feliz, balançando o cofre cheio de
moedas).
CENA
5 - Do outro lado do palco, o grupo de estudantes continua comentando.
Marli:
Que horror! Agora posso imaginar a revolta de Lutero contra tantas mentiras
e maldades.
D.
Rute: Realmente! Lutero era um sacerdote sério, consciente,
e sentiu-se na obrigação de admoestar o povo contra aqueles
abusos e práticas erradas.
Vagner:
Entre outras coisas, Lutero defendeu a verdade de que a única
cabeça da Igreja é Jesus Cristo, e não o papa.
A situação foi se agravando e o papa o excomungou, mas
Lutero nada temeu, continuou firme, defendendo os verdadeiros princípios
bíblicos.
CENA
6 - Entra Lutero pela porta, ao fundo, trazendo nas mãos uma
comprida folha de papel, um martelo e pregos.
Lutero:
Grande mentira se tem vendido entre o povo! A salvação
não pode ser comprada por dinheiro, nem por qualquer outro mérito.
Os cristãos são salvos pelo dom da graça de Deus,
aceita pela fé em Jesus Cristo. E basta o arrependimento sincero
para receber o perdão de Deus. Aqui estão as provas bíblicas
contra todas as falsas doutrinas da Igreja Católica Romana.
(toma
o documento, onde em letras grandes pode-se ler: "95 teses",
e prega na porta, saindo a seguir)
CENA
FINAL - D. Rute e o grupo de estudantes posicionam-se no centro do palco.
Vagner:
As 95 teses que Lutero pregou na porta da Catedaral de Wittemberg, no
dia 31 de outubro de 1517, deram início a um dos acontecimentos
mais importantes da história: a Reforma Religiosa!
D.
Rute: É bom lembrar que isto custou a Lutero ameaças
de prisão e de morte. No entanto, Deus não permitiu que
ele fosse transformado em mártir. Protegido pelo príncipe
da Saxônia, Frederico o Sábio, Lutero refugiou-se no Castelo
de Wartburg, período em que aproveitou para escrever vários
livros. Porém sua obra mais grandiosa, neste tempo, foi a tradução
da Bíblia para o idioma alemão. Isto possibilitou ao povo
ver com seus próprios olhos os erros do Catolicismo Romano.
Adriana:
Mais ainda, mãe, para responder por seus atos contra a Igreja,
Lutero foi convocado a comparecer diante da Dieta de Worms, uma assembléia
formada por príncipes e representantes de várias ciddades.
Marli:
E ele teve coragem de comparecer diante desse terrível tribunal
religioso?
Adriana:
Teve, sim. As pessoas diziam para ele não atender a convocação,
porque poderia ser morto, mas ele respondia: "Irei, sim, ainda
que haja lá mais demônios que as telhas deste castelo!"
Vagner:
Sabe, Marli, A intensão de Lutero não era fundar uma outra
Igreja, ele desejava ver uma reforma no seio da própria Igreja.
Porém, em Worms acontececeu o que chamamos de a grande cisão
da Igreja. Os que estavam presentes no tribunal e concordaram com as
posições de Lutero, passaram a compor a Igreja Protestante,
e o outro grupo permaneceu no Catolicismo Romano.
D.
Rute: Os ideais da Reforma Protestante não ficaram só
na Alemanha, explodiram em diversos lugares ao mesmo tempo. Na Suíça
levantou-se Zwínglio, Calvino e outros. Na França, Farel,
Lefèvre, o próprio Calvino e Melancton. E, assim, a reforma
progrediu rapidamente, atingindo os Países Baixos, a Dinamarca,
a Suécia, a Noruega, a Inglaterra, a Polônia, a Boêmia,
a Áustria, abalou até a Espanha e Portugal. Por ordem
da Igreja Romana muitos crentes foram queimados vivos. A Espanha sufocou
o movimento a ferro e fogo. Nos Países Baixos, cem mil vítimas
foram massacradas. Na França se processou uma carnificina, que
ficou conhecida como a "Noite de São Bartolomeu", quando
morreram entre oitenta a cem mil huguenotes. Porém nada pode
deter o poder maravilhoso do evangelho, a Verdade foi proclamada a todos
os ventos, e, hoje, somos milhões e milhões de crentes
em todo o mundo. E, a cada dia, mais e mais pessoas vêm aos pés
de Cristo para receber gratuitamente a salvação pela fé.
Marli:
Foi muito bom ouvir esta linda história. Agora, já sei
o que vou escrever no trabalho que tenho para fazer. Agradeço
a cooperação de todos vocês.
Adriana:
Esperem um pouco! Antes de vocês sairem, vamos todos cantar um
hino composto por Martinho Lutero. O nome do hino é "Castelo
Forte". Ele é considerado o hino universal do evangelismo.
(Todos os presentes, atores e platéia, cantam juntos o hino "Castelo
Forte" - nº 155 do Hinário Novo Cântico)
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