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SUGESTÃO: Programe um filme sobre uma tribo indígena, uma exposição de objetos indígenas, uma palestra sobre a Importância da nação índígena e os seus direitos. Convide um missionário que trabalhe com índios (da APMT ou outra missão). Se possível, promova uma visita a uma aldeia indígena.
O dia 19 de abril
A música de Jorge Benjor diz que "todo dia era dia de índio", lembrando que os índios que viviam no Brasil eram donos da terra quando ele foi descoberto. Mas em outra estrofe, Benjor lembra que "agora ele só tem o dia 19 de abril".
Em 1940, no México, foi realizado o I Congresso Indigenista Interamericano, com a presença de diversos países da América e os índios, tema central do evento, os índios também foram convidados. Como estavam habituados a perseguições e outros tipos de desrespeito, preferiram manter-se afastados e não aceitaram o convite. Dias depois, após refletirem sobre a importância do Congresso na luta pela garantia de seus direitos, os índios decidiram comparecer. Essa data, 19 de abril, por sua importância histórica, passou a ser o Dia do Índio, em todo o continente americano.
No Brasil, o então presidente Getúlio Vargas assinou o decreto nº 5.540, em 1943, determinando que o Brasil, a exemplo dos outros países da América, comemorasse o Dia do Índio em 19 de abril.
Os números dos Índios no Brasil
Estima-se entre um milhão e cinco milhões o número de índios que viviam no Brasil em 1500, na época do descobrimento. Outra estimativa é a de que esses nativos estavam distribuídos em 1.400 tribos, que falavam 1.300 línguas diferentes. Infelizmente, devido à precariedade de dados históricos, torna-se impossível precisar a totalidade da população indígena do Brasil em 1500.
Vamos ver como está a situação do índio hoje no Brasil através das estatísticas:
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Distribuição da população indígena no Brasil
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Número de
índios
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Número de
etnias
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Línguas
faladas
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Percentual em relação à
população brasileira
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345.000
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215
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180
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0,2%
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Fonte: Funai, 2003.
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Além da população indígena identificada oficialmente, há 53 notificações de grupos isolados ainda não contatados pelo homem branco.
A maior parte da população indígena (27,5%) está concentrada no estado do Amazonas e, em seguida, no Mato Grosso e em Roraima. Em relação às áreas, o Amazonas também fica em primeiro lugar, com 35,7%, seguido pelo Pará e Roraima.
Organização e Sobrevivência
Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de caciques, tuxánas ou morubixabas. Normalmente, a transmissão da chefia é hereditária (de pai para filho). Os chefes devem conduzir a aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter a tradição, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os brancos. Muitas vezes, ele é assessorado por um conselho de homens que o auxiliam em suas decisões. Já o pajé é uma espécie de curandeiro e conselheiro espiritual.
Os índios brasileiros sobrevivem utilizando os recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente com a ajuda de processos rudimentares. Eles caçam, plantam, pescam, coletam e produzem os instrumentos necessários a estas atividades. A terra pertence a todos os membros do grupo e cada um tira dela seu próprio sustento.
Para os índios, a terra é um bem coletivo, destinada a produzir a satisfação das necessidades de todos os membros da sociedade. Todos têm o direito de utilizar os recursos do meio ambiente. Nesse sentido, a propriedade privada não cabe na concepção indígena de terra e território. Embora o produto do trabalho possa ser individual, as obrigações existentes entre os indivíduos asseguram a todos o usufruto dos recursos.
Existe uma divisão de tarefa por idade e por sexo: em geral cabe à mulher o cuidado com a casa, das crianças e das roças; o homem é responsável pela defesa, pela caça (que pode ser individual ou coletiva), e pela coleta de alimentos na floresta.
Verdadeiros Heróis
Desde o início da colonização, os índios foram escravizados pelos portugueses. A partir daí, ficaram sujeitos às leis dos homens brancos e sofreram com prisões, com o desrespeito à sua cultura, com as tentativas violentas de integrá-los ao convívio com a civilização.
Os colonizadores viam os índios como seres inferiores e incapazes, que precisavam adquirir novos hábitos para estarem aptos a conviver com eles. Os nativos perderam sua autonomia e passaram a viver em função das leis que os homens brancos criavam para eles ou a respeito deles.
Somente em 1910 vieram algumas boas notícias com relação ao direito do índio à posse da terra e ao respeito de seus costumes, com a instituição do Serviço de Proteção ao Índio - SPI, pelo Marechal Cândido Rondon. Entre as principais conquistas estão a permissão aos índios de viver conforme suas tradições, proibição do desmembramento da família indígena, garantia da posse coletiva de suas terras, em caráter inalienável, e dos direitos dos cidadãos comuns aos índios.
Em 1967, o SPI foi substituído pela Fundação Nacional do Índio - FUNAI, atualmente subordinada ao Ministério da Justiça.
Pela Lei 6001, de 19/12/73, foi sancionado o Estatuto do Índio, que hoje regula a situação jurídica dos índios ou silvícolas e das comunidades indígenas.l.
A Constituição Brasileira de 1988 foi a primeira a trazer um capítulo sobre os indígenas.. Reconheceu oficialmente os índios como povos culturalmente diferenciados e que essa diversidade deveria ser respeitada, sem exigir que eles se adequassem aos hábitos dos homens brancos. Os benefícios da nova Constituição, entretanto, não se fizeram sentir na prática. Por falta de adequação aos novos conceitos e da regulamentação do próprio texto Constitucional, as mudanças administrativas verificadas na FUNAI, a partir de 1988, não obtiveram o êxito esperado.
Os interesses econômicos nacionais e estrangeiros também podem ser inimigos das sociedades indígenas. Os índios brasileiros e suas terras muitas vezes são alvo de garimpeiros, madeireiros e fazendeiros que cobiçam essas terras e as riquezas naturais delas, sem se importar com os males e prejuízos causados aos índios e o meio ambiente.
Um exemplo são os garimpeiros que exploram ouro, diamante e cassiterita em terras indígenas e que, além de agir com violência e transmitir todo o tipo de doenças contagiosas aos índios, provocam danos poluindo os rios com mercúrio e outros produtos químicos.
Há também problemas com relação aos projetos de colonização de terras. Os latifundiários que compram a terra, formam grandes propriedades e os índios são obrigados a aceitar a viver em áreas espaçadas umas das outras, cortadas por fazendas e estradas. Da mesma forma os posseiros, sem terras onde trabalhar, invadem terras indígenas, sobretudo aquelas ainda não demarcadas, gerando conflitos e impactos que afetam profundamente as sociedades indígenas.
Apesar de tudo isso, os índios mostram sua garra, são como verdadeiros heróis, pois têm conseguido não somente sobreviver, mas se auto afirmar como povos diferenciados e dignos.
O que podemos fazer em prol do índio?
É certo que não temos como regressar no tempo para corrigir os erros passados, mas o que podemos e devemos fazer hoje é procurar tratar com dignidade o remanescente atual dos nossos povos nativos, descendentes daqueles que não foram respeitados.
A agência missionária da Igreja Presbiteriana do Brasil que trabalha com povos indígenas (APMT) tem procurado manter-se atualizada com a política indigenista e cooperar para o bem do índio, apoiando os órgãos públicos responsáveis por este atendimento (FUNAI / FUNASA / MEC) e repassando ao índio instrumentos úteis para a consecução de seus sonhos e de seus ideais.
Áreas de atuação dos missionários da APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais):
- Escola bilíngüe sempre existe um esforço dos missionários para valorizar a língua e cultura indígenas fazendo um registro e dando-lhe a oportunidade de assegurar a língua como veículo da sua cultura. Procuram também formar professores indígenas.
- Apoio à saúde em muitas aldeias os missionários prestam assistência e ajudam na formação de AIS (Agente Indígena de Saúde) como enfermeiros, laboratoristas motoristas fluviais e agentes sanitaristas para minimizar os problemas de saúde.
- Projetos de desenvolvimento sustentado para evitar o assistencialismo tem-se procurado promover alternativas produtivas e econômicas em muitas comunidades. Isso se faz com projetos tecnicamente elaborados ou com o apoio a pequenas iniciativas do índio.
- Acesso aos conhecimentos de nossa sociedade disponibilizando ao índio o conhecimento da legislação, da política e do governo do país, e oferecendo também o conhecimento da Bíblia Sagrada (traduzida em parte ou no todo, no idioma de cada tribo), a fim de possibilitar ao índio uma opção pelos valores do cristianismo.
Fonte: site www.ibge.com.br e Revista Alcance(APMT)
Por que não chegaste mais cedo?
(Rev. Elvio Gonzaga Carneiro)
Era uma tarde triste e sombria,
O céu estava cinzento, parecia que se desencantava;
Naquela cabana tosca, uma solitária mulher sentida e sofrida,
Com a cabeça curvada entre as mãos, apenas suspirava!
Era uma senhora índia, na sua oca sem conforto,
E na sua agrura, sem alegria, chorava dia a dia.
Pensava no filho: a doença trazida pelos deuses do mal,
Ceifara sua vida, levara-o deste mundo afinal!
Um dia, em meio a sua imensa dor,
Com o coração dolorido, marcado pela saudade,
Viu chegar à aldeia um jovem senhor,
Que trazia consigo algo novo, um sorriso, uma nova verdade.
O chefe da tribo o recebeu e com ele se encantou,
Chamou a todos e todos vieram, seguindo o velho índio;
O missionário, então, falou da mensagem, do Senhor,
E, pela primeira vez, ouviram o Evangelho.
Enquanto aquele homem de Deus pregava,
Com seus formosos pés, falando de Jesus,
O Espírito Santo com graça e amor atuava
Na vida daqueles ouvintes, sentados aos pés da cruz.
Muitos índios se converteram ao Senhor,
E, agora, cantavam hinos de adoração,
Cultuavam ao Deus único digno de louvor,
Viviam nova vida, traziam nova paz no coração.
Era uma tarde clara e suave...
Aquela mulher índia chamou o pregador
E lhe disse com voz doce e embargada:
Muito obrigada, vieste aqui em nome do Senhor!
Mas, pregador, quero ainda te perguntar:
Por que não chegaste mais cedo?
Meu filho morreu sem Jesus no coração!
Oh! Vós que ouvis, hoje, esse clamor,
Levantai-vos e erguei-vos para a sublime missão:
Ide, sem demora, levar a mensagem do Senhor
Aos corações que perecem sem Deus, sem Salvação!
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